terça-feira, 1 de maio de 2012

A ESPIRALADA EVOLUÇÃO DA VIDA

  A  ESPIRALADA  EVOLUÇÃO DA VIDA       (uma experiência vivida por mim)

                                                                                                       

    Estando certa vez num restaurante   (Superbom, no Viaduto Nove de |Julho)

    Veio  um senhor sentar-se à mesma mesa

    Iniciando-se naquele instante

    Um diálogo de ímpar natureza


    Não me recordo bem por que razão

    Se trouxe para tema a Humanidade

    Ganhando a prosa  forma e  dimensão

    Próprias a algo de tal densidade
 

    Ouvindo-me atento, curioso,

    Aquele companheiro inesperado

    Levou-me a avançar, pretensioso,

    Professoral até, no enunciado:


   “Eu vejo que seguimos circulantes

    Por cônica espiral, em ascensão

    E tudo se repete como antes,

    Mas numa afunilante projeção
 

    Desejos, aflições, crenças, receios...

    Tudo isto carregamos na subida,

    Que ora são fardos, ora são esteios,

    Segundo as conjunturas numa vida


    O Criador é o eixo da espiral

    A que vão ter os mais evoluídos,

    Deixando para trás, noutro final

    Os réprobos, os vis e os iludidos     (e os expropriados do seu autocomando)


    De sorte que a própria experiência

    De cada qual lhe dá a dimensão:

    Na base, nos impele a inocência

    Acima, dependemos da razão.

   
     Ao me calar, ouço de quem me ouvia:

     “Sua tese é a de São Tomás de Aquino

     Na USP, leciono teologia

     E lá filosofia ainda ensino

     São temas por que tenho grande apreço

     E não só eu, também minha mulher;              

     Anote, por favor, meu endereço

     E apareça lá quando quiser”

  
     Mesmo alcançando o gesto na grandeza

     Da importância ali pra mim contida

     Achei-me aquém de tal delicadeza

     E nunca fui à casa oferecida...


     Por não submeter meu postulado

     Ao crivo de um perito em teologia       

     Fiz concessões demais a alguém amado  (e quantas...)

     Que professava outra teoria


     Faltou-me perceber que o pretendido  (o meu ideal de vida real)

     Fenece ao aninhar-se na ilusão              (o devaneio do outro)

     Já que esta, se preserva o sentido


     Inverte, sempre e sempre, a direção

    
     Perdem o rumo e afastam-se do centro

     Os que enleiam fé com misticismo    (Ah! as seitas...Apropriam-se até das  energias cósmicas!)

     Procuram fora aquilo que está dentro

     Buscando o céu, despencam num abismo...


     Na espiralada evolução da vida

     Tal como a pude imaginar um dia                                                          

     Constato que há por vezes invertida                                               

     A forma cônica em que  se irradia




                  Joel Ribeiro do Prado

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